quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Jardim Zoológico da Quinta das Aves


Propriedade do Sr. Albino Marques, a Quinta das Aves era um local que levava até si visitantes de várias localidades. Podendo ser considerado como um mini jardim zoológico, este espaço albergava canários, faisões, 600 periquitos, aves exóticas como caturras e papagaios, e ainda mais de cinquenta espécies de aves como a galinha de pernas peludas, pavões, grous, gansos.

Visitado por milhares de curiosos e ainda várias escolas, a Quinta das Aves sempre foi considerado um espaço singular na freguesia, sendo a entrada neste espaço gratuita para todos. Apesar de as aves serem o ex libris desta quinta, podiam ainda ser visitados outros animais como cavalos, veados, lobos, macacos e ainda um aquário de peixes. A complexidade deste espaço fez com que cada rua fosse identificada com um nome para ajudar na orientação dentro da quinta.

A Quinta das Aves marcou uma geração desta freguesia, bem como as memórias de todos os que conheceram os tempos áureos deste espaço. De ressalvar fica o registo de mais um local que trouxe milhares de pessoas a conhecer a freguesia de Delães, as suas histórias, locais e tradições.



quarta-feira, 16 de abril de 2014

Clube Teatro Recreativo de Delães




No dia do seu primeiro aniversário - fundado a 23 de Maio de 1935 - segundo notícia publicada no Notícias de Famalicão em 23 de Maio de ´36, foi inaugurada a bandeira do Club Teatro Recreativo de Delães, com as cores verde e branca , tendo ao centro a Cruz de Cristo.
O teatro era visitado frequentemente por grupos cénicos e, segundo o Notícias de Famalicão, o Grupo Dramático Portuente visitou Delães com a peça "Segredo do Pescador", com a conhecida artista da época Maria Vilaça.



       "Além das sessões de cinema que aos domingos são apresentadas ao público com admiráveis films a direcção do Club Teatro Recreativo de Delãis promove festas de raro luzimento.
Hoje e amanhã, no Club e nos jardins que foram gentilmente cedidos pelo capitalista Sr. Albino Marques, há festa denominada a do distintivo.
Além de sessões de cinema, a direcção de tam simpática colectividade promove ainda um chá dançante amanhã abrilhantado por uma orquestra.
No jardim abrir-se-ão várias barracas de novidades, umas com chá e outros refrigerantes e caldo verde, outros ainda com barquilheiros e grooms com diversos tabacos e chocolates e exibe-se também o rancho de Ave de Santo Tirso, com as suas canções e bailados"
in Notícias de Famalicão em 19 de Setembro de 1936



Na década de 50 nasce um novo projecto, o Jardim Isabel, pelas mãos do Sr. Domingos Marques Carneiro, ensaísta e autor de diversas peças levadas a cena. Representaram várias peças entre as quais "Mulheres de Soalheiro", esta que retratava a sociedade da época, fazendo crítica social. Geralmente participavam entre 10 e 12 actores, todos de Delães.

O teatro estava localizado nas instalações  contíguas à Quinta das Aves (doadas pelo Sr. Albino Marques), posteriormente tendo sido construída nesse local a Fábrica das Sedas Íbis.

Pelo palco de Delães passaram outros grupos teatrais como o Grupo de Teatro de São Simão de Novais com a peça "Abel e Caim".

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Memórias Paroquiais de 1758"



Nas "Memórias Paroquiais de 1758", o abade João Baptista de Azevedo refere-se à freguesia como sendo constituída por 71 fogos e 276 pessoas, divididas pelos lugares do "Loureiro, Delains, Rigengo, Pennas , Perrelos, Montenegro e Piqua, com mais quatro quintas todas separadas, sendo: Pennavilla, Figueiras, Gavim, Corredoura".

Tinha 4 ermidas - a de S.Miguel Arcanjo, que antigamente fora Igreja Matriz, mas dado estar no alto do monte de S.Miguel e longe dos moradores foi unida à do Salvador, que é agora Igreja Matriz. Há a capela de Santa Maria de Perrelos, que era uma senhora muito venerada na cura de doenças como o paludismo e outras doenças parasitárias e, para cumprir os seus votos, os fiéis lavavam consigo terra que retiravam debaixo do seu altar e colocavam-na ao pescoço e, quando alcançavam a cura, voltavam a depositar a terra no mesmo local.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Caminho Real




Conta a tradição oral que uma Rainha, nas suas deslocações, descansava numa pousada que ficava na fronteira entre Delães e Bairro (a capital ainda era Guimarães). Como o povo trabalhador não a ia aplaudir ela disse:

"Mas que terra tão miserável que nem um sino tem para tocar quando eu aqui passo"

Então, a rainha mandou fazer um sino e disse que quando voltasse queria "ouvir o sino a tocar".
Foi colocado o sino na capela e, quando a Rainha voltou o sino já tocava, então esta disse:

"De agora em diante esta terra deixa de se chamar Dallém d´Ave e passa a Delão" - devido ao toque do sino.

Quem era a Rainha não se sabe... mas a verdade é que ainda hoje em Delães existe o Caminho Real.


terça-feira, 1 de abril de 2014

O início da História

A 12km da sede do concelho de Vila Nova de Famalicão, delimitada geograficamente pelos montes de São Miguel e da Cerqueda, encontramos a freguesia de Delães. Esta belíssima terra tem como fronteira as freguesias de Bairro, São Simão de Novais, Carreira, Ruivães e Oliveira de São Mateus.


O espaço geográfico que atualmente corresponde a Delães foi povoado por povos nómadas (não se dedicavam à agricultura, colhiam o que a natureza oferecia). Pelos trabalhos arqueológicos já realizados, a freguesia registou presença humana desde a Idade do Ferro, embora dados reconheçam que essa presença remonte ainda à Idade do Bronze.

No final do II Milénio A.C., o monte de S. Miguel foi gradualmente ocupado por uma comunidade que edificou aí as suas casas e, para defender e delimitar o seu povoado, procedeu à construção de uma muralha e respetivos taludes. Existiu um povoado castrejo na zona, uma das provas é a ara que foi encontrada em 1884, dedicada a uma divindade indígena apelidada de BRIGUS.


A presença Romana

Nos finais do I Milénio A.C.  a região começa a sofrer influências dos Romanos que haviam chegado à Península Ibérica. Assim, a terra passa a ser cultivada intensivamente, as populações começam a descer do Monte de S.Miguel e a instalarem-se na planície. Prova desta presença são os vestígios encontrados  na Estação Arqueológica de Perrelos.


Estação Arqueológica de Perrelos | Lugar do Paraíso em Delães



Idade Média

Em Perrelos, os vestígios não se limitam à época Romana e anteriores, a investigação permitiu a descoberta de várias sepulturas, pela tipologia, a sua origem remonta do século IX ao século XIII. É de salientar a Necrópole Medieval e os vestígios de um templo românico que alguns estudiosos referem como tendo sido neste local fundado o primitivo mosteiro de Santa Maria de Oliveira.

Necrópole Medieval | Lugar do Paraíso em Delães




Da sua toponímia diz-se que no principio da fundação da freguesia, o povo teria denominado esta região por «Divino Salvador Dallém D Ave», que depois se teria chamado «Dallém D Ave», mais tarde «Dallêns» e hoje Delães. Só a partir do Século XIII é que aparece em documentos escrita e sob diversas variantes da actual designação: «Alães»,«Dailanes», «Dalões», «Deelãees», «Deelaes», «Elaes», «Delaens» e «Delains». Nas inquirições de 1220 era citada com o nome de «Sancti Salvatoris de Elaes».