quarta-feira, 16 de abril de 2014

Clube Teatro Recreativo de Delães




No dia do seu primeiro aniversário - fundado a 23 de Maio de 1935 - segundo notícia publicada no Notícias de Famalicão em 23 de Maio de ´36, foi inaugurada a bandeira do Club Teatro Recreativo de Delães, com as cores verde e branca , tendo ao centro a Cruz de Cristo.
O teatro era visitado frequentemente por grupos cénicos e, segundo o Notícias de Famalicão, o Grupo Dramático Portuente visitou Delães com a peça "Segredo do Pescador", com a conhecida artista da época Maria Vilaça.



       "Além das sessões de cinema que aos domingos são apresentadas ao público com admiráveis films a direcção do Club Teatro Recreativo de Delãis promove festas de raro luzimento.
Hoje e amanhã, no Club e nos jardins que foram gentilmente cedidos pelo capitalista Sr. Albino Marques, há festa denominada a do distintivo.
Além de sessões de cinema, a direcção de tam simpática colectividade promove ainda um chá dançante amanhã abrilhantado por uma orquestra.
No jardim abrir-se-ão várias barracas de novidades, umas com chá e outros refrigerantes e caldo verde, outros ainda com barquilheiros e grooms com diversos tabacos e chocolates e exibe-se também o rancho de Ave de Santo Tirso, com as suas canções e bailados"
in Notícias de Famalicão em 19 de Setembro de 1936



Na década de 50 nasce um novo projecto, o Jardim Isabel, pelas mãos do Sr. Domingos Marques Carneiro, ensaísta e autor de diversas peças levadas a cena. Representaram várias peças entre as quais "Mulheres de Soalheiro", esta que retratava a sociedade da época, fazendo crítica social. Geralmente participavam entre 10 e 12 actores, todos de Delães.

O teatro estava localizado nas instalações  contíguas à Quinta das Aves (doadas pelo Sr. Albino Marques), posteriormente tendo sido construída nesse local a Fábrica das Sedas Íbis.

Pelo palco de Delães passaram outros grupos teatrais como o Grupo de Teatro de São Simão de Novais com a peça "Abel e Caim".

quinta-feira, 3 de abril de 2014

"Memórias Paroquiais de 1758"



Nas "Memórias Paroquiais de 1758", o abade João Baptista de Azevedo refere-se à freguesia como sendo constituída por 71 fogos e 276 pessoas, divididas pelos lugares do "Loureiro, Delains, Rigengo, Pennas , Perrelos, Montenegro e Piqua, com mais quatro quintas todas separadas, sendo: Pennavilla, Figueiras, Gavim, Corredoura".

Tinha 4 ermidas - a de S.Miguel Arcanjo, que antigamente fora Igreja Matriz, mas dado estar no alto do monte de S.Miguel e longe dos moradores foi unida à do Salvador, que é agora Igreja Matriz. Há a capela de Santa Maria de Perrelos, que era uma senhora muito venerada na cura de doenças como o paludismo e outras doenças parasitárias e, para cumprir os seus votos, os fiéis lavavam consigo terra que retiravam debaixo do seu altar e colocavam-na ao pescoço e, quando alcançavam a cura, voltavam a depositar a terra no mesmo local.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Caminho Real




Conta a tradição oral que uma Rainha, nas suas deslocações, descansava numa pousada que ficava na fronteira entre Delães e Bairro (a capital ainda era Guimarães). Como o povo trabalhador não a ia aplaudir ela disse:

"Mas que terra tão miserável que nem um sino tem para tocar quando eu aqui passo"

Então, a rainha mandou fazer um sino e disse que quando voltasse queria "ouvir o sino a tocar".
Foi colocado o sino na capela e, quando a Rainha voltou o sino já tocava, então esta disse:

"De agora em diante esta terra deixa de se chamar Dallém d´Ave e passa a Delão" - devido ao toque do sino.

Quem era a Rainha não se sabe... mas a verdade é que ainda hoje em Delães existe o Caminho Real.


terça-feira, 1 de abril de 2014

O início da História

A 12km da sede do concelho de Vila Nova de Famalicão, delimitada geograficamente pelos montes de São Miguel e da Cerqueda, encontramos a freguesia de Delães. Esta belíssima terra tem como fronteira as freguesias de Bairro, São Simão de Novais, Carreira, Ruivães e Oliveira de São Mateus.


O espaço geográfico que atualmente corresponde a Delães foi povoado por povos nómadas (não se dedicavam à agricultura, colhiam o que a natureza oferecia). Pelos trabalhos arqueológicos já realizados, a freguesia registou presença humana desde a Idade do Ferro, embora dados reconheçam que essa presença remonte ainda à Idade do Bronze.

No final do II Milénio A.C., o monte de S. Miguel foi gradualmente ocupado por uma comunidade que edificou aí as suas casas e, para defender e delimitar o seu povoado, procedeu à construção de uma muralha e respetivos taludes. Existiu um povoado castrejo na zona, uma das provas é a ara que foi encontrada em 1884, dedicada a uma divindade indígena apelidada de BRIGUS.


A presença Romana

Nos finais do I Milénio A.C.  a região começa a sofrer influências dos Romanos que haviam chegado à Península Ibérica. Assim, a terra passa a ser cultivada intensivamente, as populações começam a descer do Monte de S.Miguel e a instalarem-se na planície. Prova desta presença são os vestígios encontrados  na Estação Arqueológica de Perrelos.


Estação Arqueológica de Perrelos | Lugar do Paraíso em Delães



Idade Média

Em Perrelos, os vestígios não se limitam à época Romana e anteriores, a investigação permitiu a descoberta de várias sepulturas, pela tipologia, a sua origem remonta do século IX ao século XIII. É de salientar a Necrópole Medieval e os vestígios de um templo românico que alguns estudiosos referem como tendo sido neste local fundado o primitivo mosteiro de Santa Maria de Oliveira.

Necrópole Medieval | Lugar do Paraíso em Delães




Da sua toponímia diz-se que no principio da fundação da freguesia, o povo teria denominado esta região por «Divino Salvador Dallém D Ave», que depois se teria chamado «Dallém D Ave», mais tarde «Dallêns» e hoje Delães. Só a partir do Século XIII é que aparece em documentos escrita e sob diversas variantes da actual designação: «Alães»,«Dailanes», «Dalões», «Deelãees», «Deelaes», «Elaes», «Delaens» e «Delains». Nas inquirições de 1220 era citada com o nome de «Sancti Salvatoris de Elaes».